Textos


UÉ! CADÊ OS LEITORES?
OK,sabemos que com a chegada da Internet trazendo consigo as redes sociais e os sites onde qualquer um pode se cadastrar e escrever,no mundo de hoje temos  mais escritores que leitores.Todos certos de que são gênios,que estão mudando a Literatura  e todos sonhando com o Prêmio Nobel e afins ,com a participação ,remunerada,nas festas literárias que brotaram ,de repente , e as famosas Academias que,a troco de uma boa grana aliciam clientes que exibem,orgulhosos,seus diplomas,cuja meritocracia é discutível ,porque conseguidos a peso de ouro.
Sem falar nos cursos que "ensinam" o escritor a escrever e,como cada escritor deve ter o seu próprio estilo que lhe marca no cenário literário  mundial,acabamos ficando com escritores uniformizados,escrevendo as mesmas coisas e pensando as mesmas ideias,como se a Literatura fosse uma linha de montagem. .Os mais sabidos contam com a vaidade do escritor cujo ego não tem limite.
Mas,é assim que caminha o mundo.O sabido vive do bobo e o bobo do seu próprio trabalho.
Pronto ,já estou esperando a chuva de ovos podres que aqueles que vivem disso certamente pretendem me alvejar.Mas,continuo querendo sempre estar do lado da verdade.
Ao preferir montar uma editora para publicar meus próprios livros    e ,depois,publicando nesses 10 anos mais de 150 títulos,mantive a minha profissão de fé.Minha editora não seria simplesmente comercial,visando enriquecer ,a não ser o conhecimento,ou seja,dar ao mundo um novo escritor talentoso,mas,de bolso furado,portanto sem poder gastar rios de dinheiro para publicar sua obra.
Não sobrevivo da Pimenta Malagueta,pior,ela sobrevive de mim,com meus parcos recursos.Certo,trabalhamos sob demanda,o autor paga os serviços do seu livro ,mas,nós não ficamos com nada,não cobramos selo editorial,não prometemos "mundos e fundos",avisamos de antemão que não somos uma editora midiática ,ou seja ,não recebemos recursos públicos nem bajulamos jornalistas  mercenários que fazem qualquer coisa por dinheiro  ou.ás vezes,um bom jantar.
Quando um candidato a escritor me procura meu intuito é mostrá-lo os riscos do investimento,avisá-lo de que editor não é distribuidor,portanto  não podemos colocá-lo nas livrarias e precisamos do "nihil obstant"* dos livreiros e distribuidores para que o trabalho do escritor novato visite as prateleiras dos seus estabelecimentos ,mediante os "módicos"(segundo eles) 50% do preço de capa ,que nos cobram.E,se o autor quiser o seu livro nas gôndolas ou prateleiras da entrada das lojas tem que pagar um percentual  que varia de $1000.00 a $5.000.00 a depender da importância do estabelecimento.
Por isso as livrarias estão fechando  ,pois,preferem vender bestsellers americanos comprados a metros ou nos leilões,  que já vêm prontos  ,com publicidade garantida por estarem ligados a filmes ou séries do gosto popular.Ou passam a vender quinquilharias, DVDs de filmes ou música para equilibrar o orçamento.
Márcio de Souza,o autor de "Mad Maria" e outros sucessos diz que é mais fácil ocultar um cadáver com sucesso do que vender 1000 exemplares.E,tem toda razão.
Se o autor que nos procura for um médico,um professor ,um artista conhecido , um professor ou jornalista eu arrisco a sugerir que ele faça 500 ex do seu livro,porque ele tem público comprador.Mas,se for um ilustre desconhecido ,sem ,ao menos,uma família grande e solidária eu o aconselho a começar com 100 exemplares e,se tiver sucesso ,depois fará mais edições.Formar um público fiel que compre seus livros e ,sobretudo,fazer contas,como eu faço e,assim sei de quantos exemplares vou precisar  publicar para que se vendam todos.
Muitos novos autores caem nas lábias de editoras fajutas e acabam pagando o pato.
*Nihil obstant ,expressão latina que significa "nada obsta" que na Idade Média todo livro precisaria exibir no exemplar para poder ser publicado por exigências da Igreja Católica.
 
 
 
Miriam de Sales Oliveira
Enviado por Miriam de Sales Oliveira em 12/06/2018
Alterado em 12/06/2018
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